terça-feira, 18 de junho de 2019

Arte Românica

Em 476, com a tomada de Roma pelos povos bárbaros, tem início o período histórico conhecido por Idade Média. Na Idade Média a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã, trazendo modificações no comportamento humano e com o Cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os aspectos da vida medieval. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo e a medida de todas as coisas. A igreja como representante de Deus na Terra, tinha poderes ilimitados.
O termo românico para indicar a arte surgida durante a Alta Idade Média na Europa Ocidental foi empregada, pela primeira vez em 1824, pelo arqueólogo francês De Caumont, e logo imediatamente adotada. A palavra pretendia exprimir de maneira sintética dois conceitos: a semelhança entre o processo de formação das línguas “romanço” (espanhol, francês, italiano, entre outros) construídas pela mistura do latim vulgar aos idiomas dos invasores germânicos e o das artes figurativas, realizadas, nos mesmos países e mais ou menos ao mesmo tempo, através da ligação de tudo que restava da grande tradição artística romana com as técnicas e tendências bárbaras e, segundo o conceito, a suposta aspiração desta nova arte de se ligar à da Antiga Roma.
Na arte Românica, de fato foram trazidos elementos romanos e germânicos, mas também, bizantinos, islâmicos e armênios. Mas, sobretudo, o que ela criou foi essencial.
Anteriormente  o período que compreendia a Arte Românica era muito amplo, e hoje aplicamos a designação de Românico para o período entre o século XI e o século XIII.
ARQUITETURA
Com a instituição da fé católica romana, uma onda de construção de igrejas varreu a Europa feudal de 1050 a 1200. Os construtores tomaram elementos da arquitetura romana, como colunas e arcos redondos. No entanto, como os prédios romanos tinham tetos de madeira, fáceis de incendiarem, os artesãos medievais passaram a fazer os tetos das igrejas com abóbadas de pedra. Abóbadas essas que podiam ser cilíndricas ou com arestas apoiadas em pilastras o que resultava em grandes espaços, livres de colunas e obstáculos.
Nesse período a peregrinação estava muito em moda e a arquitetura das igrejas era adequada para receber as multidões de visitantes. A sua planta cruciforme, com longa nave atravessada por um transepto mais curto, simbolizando o corpo de Cristo crucificado. As arcadas permitiam aos peregrinos andar pelos corredores sem atrapalhar os serviços religiosos na nave central. O “chevet” travesseiro em francês é a parte atrás do altar, capelas semicirculares onde se guardam os relicários.
O exterior das igrejas românicas é bastante despojado, exceto pelos relevos esculturais em volta do portal principal.
As características mais significativas da arquitetura românica são:
  • abóbadas em substituição ao telhado das basílicas;
  • pilares maciços e paredes espessas;
  • aberturas raras e estreitas usadas como janelas;
  • torres que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada;
  • arcos em 180 graus.
A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das ideias desenvolvidas nos centros urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade.
Na Itália, diferente do resto da Europa, as construções não apresentam formas pesadas, duras e primitivas.
PINTURA E MOSAICO
Na Idade Média, as várias atividades artísticas não eram consideradas independentes entre si. Pelo contrário, elas contribuíam para as realizações e decorações daquele que era a obra fundamental, a grande igreja com que a comunidade exaltava o verdadeiro Criador.
Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura.
Embora muitos edifícios fossem construídos aproveitando as propriedades decorativas da pedra ou dos tijolos, a decoração colorida, obtida com os afrescos ou então, com os mosaicos, era uma decoração que procurava efeitos impressivos, que amava as cores vivas e os desenhos fortemente caracterizados. Tais ornamentações, profusas sobre as paredes das igrejas, revestiam, por vezes, outras partes do edifício.
Por isso, a pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais, através da técnica do afresco, que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida.
Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características essenciais da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura de Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a menor intenção de imitar a natureza.
A técnica da decoração com mosaico, isto é, pequeninas pedras, de vários formatos e cores, que colocadas lado a lado vão formando o desenho, conheceu seu auge na época do românico. Usado desde a Antiguidade, é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado, para representar o próprio céu.
ESCULTURA
A escultura românica, embora sempre de uma imaginação excepcional, está ao serviço da arquitetura.
A escultura surge, principalmente, para decorar os elementos principais dos edifícios. Decoração essa, que já não é entendida como fim em si mesma, mas sim com o objetivo didático, para instruir os que a veem.
Por exemplo, na porta das igrejas a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta.
As esculturas eram imitação de formas rudes, curtas ou alongadas, ausência de movimentos naturais.
ILUMINURAS
Com quantidade grande de saqueadores devastando as cidades do antigo império Romano, os monastérios eram tudo que restavam entre a Europa Ocidental e o caos. Monges e freiras copiavam manuscritos, mantendo vivas a arte da ilustração em particular e a civilização ocidental em geral.
Nessa época, os rolos de papiro usados no Egito e Roma foram substituídos pelos códices de pergaminho de pele de boi ou de carneiro, feitos de páginas separadas unidas por uma das extremidades. Os manuscritos eram considerados objetos sagrados que continham a palavra de Deus e tinham desenhos inseridos nos escritos, sempre de grande beleza, da qual originou o nome de Iluminuras, ou seja, iluminavam os textos.
Eram profusamente decorados, de maneira que sua beleza exterior refletisse a sacralização do conteúdo. Tinham capas de ouro cravejadas com pedras preciosas e semipreciosas. Até o desenvolvimento da tipografia, no século XV, esses manuscritos eram a única forma existente de livros, preservando não somente os ensinamentos religiosos, mas também a literatura clássica.

Arte Bizantina

O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos de nossa era. Por volta do século IV, começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a capital do império para Bizâncio, cidade grega, depois batizada por Constantinopla, no ano 330. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma, facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento da arte bizantina.
Esta zona oriental, que já apresentava características diferentes durante o período paleocristão, evoluciona de maneira independente desde os finais do século V. Graças à localização de Constantinopla, a arte bizantina sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessas culturas formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor.
A arte bizantina está dirigida pela religião. Ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas meros executores.
O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais, ele era o representante de Deus, tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a cabeça, e, não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa, ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus.
ARQUITETURA
A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina, elas eram planejadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada imensas cúpulas, criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados.
Na evolução da arquitetura e da arte bizantina podem-se distinguir três períodos, cada um dos quais inclui uma “idade de ouro”. O primeiro é propriamente uma continuação do paleocristão e tem seu momento mais representativo no reinado do imperador Justiniano (527-565). A partir da luta iconoclasta na primeira metade do século VIII quebra-se a continuidade, e com o restabelecimento do culto às imagens pelo concílio de 842 passa-se a uma segunda “idade de ouro”, que é a mais acentuadamente bizantina. A terceira virá depois da tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204, e tem grande interesse pela difusão das formas bizantinas até o Norte (Rússia) e Ocidente. A conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453 porá ponto final a uma arte já em crise.
Com o imperador Justianiano empreenderam-se as mais famosas construções da arquitetura bizantina. As paredes são de tijolo, por vezes revestido exteriormente por lajes de pedra com relevos, e interiormente ocultam a sua pobreza com a policroma decoração de mosaico, mais tarde substituído pela pintura. Como suporte emprega-se a coluna, com dois tipos de capitéis: o primeiro derivado do coríntio caracteriza-se pelas suas folhas espinhosas de acanto, distribuídas em duas filas de oito, e nele conseguem-se efeitos profundos de claro-escuro ao empregar-se tanto o cinzel como o trépano; o segundo, mais simples, é denominado capitel impósito, que parece ter uma origem sassânida, em forma de tronco de cone revestido, cuja superfície se cobre nos edifícios mais ricos de uma decoração vegetal contínua e uniforme com cinzel e trépano em dois planos. Tende a desaparecer o ábaco, substituído por um corpo em forma de tronco de pirâmide invertida (cimácio). Mas o mais característico deste período é o emprego da abóboda como cobertura. Os tipos de abóbodas mais utilizadas são as de berço e aresta e, fundamentalmente, a cúpula, cuja construção se vê facilitada pelo emprego do tijolo como material de construção.
Há vários exemplos arquitetônicos bizantinos como a igreja dos Santos Sérgio e Baco, igreja de São Vital, em Ravena, Catedral Dourado em Antioquia, catedral de Bosra e a de São João de Esra, igreja de Santa Irene ou de Santa Paz (532), no entanto, destacamos uma obra-prima : a magnífica igreja de Santa Sofia.
Santa Sofia, dedicada a segunda pessoa da Santíssima Trindade – como Sabedoria Divina – foi construída entre 532 e 537 pelos arquitetos Antêmio de Tralles e Isidoro de Mileto, sob vigilância direta de Justiniano. De planta retangular, é dominada pela grande cúpula central, de 31 m de diâmetro e 55 m de altura, sobre perxinas. A parte inferior do casquete da cúpula está perfurada por uma série de janelas que se situam entre os arcos de reforço dispostos radialmente, de forma que a impressionante luminosidade dos vãos anula o efeito visual dos maciços a parece que flutua no ar. Desta maneira, impõem-se uma estética baseada na valorização do espaço segundo o eixo longitudinal dos pés à cabeceira do templo. Do lado da abside e do átrio contrabalaçam-se as grandes forças da cúpula mediante duas grandes éxedras ou quartos de esfera que, por sua vez se equilibram com outras menores, e aos lados por dois grossos apoios unidos através de riquíssimas arcadas com colunas verde antigo, pórfiro vermelho e mármore branco. Tal método tornou a cúpula extremamente elevada, sugerindo, por associação à abóbada celeste, sentimentos de universalidade e poder absoluto. Para aligeirar o peso de tão imensa cobertura, construiu-se com ânforas de argila. Rodas, de reduzido peso específico, incrustadas umas nas outras formando círculos concêntricos. Poucos anos após sua construção, a majestosa cúpula desmoronou como consequência do terremoto, mas foi de novo levantada, com a mesma técnica e traçado, reforçando os apoios laterais, em 558 sob a direção de Isidoro de Mileto. Ainda em 989, de novo danificada, foi preciso a intervenção de um arquiteto armênio.
A surpreendente grandiosidade do espaço criado em Santa Sofia, como, em seu tempo, a riqueza cromática dos altares, mosaicos e materiais, nos quais a simbólica luz reverbera como dando razão à afirmação de que “o que é radiante vem de dentro”, justificam a exclamação de Justianiano ao vê-la acabada: “Glória a Deus que me julgou digno de executar esta obra! Venci-te Salomão!”
Embora, a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz, um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior.
Na etapa da segunda “idade de ouro”, que se inicia a meados do século IX, mantém-se o tipo de basílica com cúpula, mas predominam as de plano central e os modelos de reduzidas dimensões. O tipo mais frequente é o de cruz grega inscrita num quadrado, com abóbodas de berço nos quatro braços da cruz. Em Veneza, onde se conserva o edifício mais belo e mais famoso deste período: a igreja de São Marcos, iniciada em 1063 e terminada em 1095. Foi construída segundo o modelo da dos Santos Apóstolos de Constantinopla, com a novidade de acrescentar aos pés um amplo pórtico com várias cúpulas.
No Norte da Rússia, onde tradicionalmente se empregava a madeira como material de construção, a influência bizantina fez-se notar nos edifícios em pedra e tijolo. O centro introdutor da mesma situa-se em Kiev, onde se fundiram as influências bizantina, armênia e georgiana.
A este respeito, é significativa a semelhança da planta da igreja de Santa Sofia de Kiev (1017-73) com a igreja de Movk, no Cáucaso: quadrada, com cinco naves que terminam em cinco absides, sem equivalente entre os edifícios da capital bizantina.
Mais ao Norte, em Novgorod, nota-se mais a influência bizantina, ao mesmo tempo em que não se pode ignorar a exercida pelo românico germânico, especialmente na região de Vladimir. Estes aspectos são essenciais para a compreensão da originalidade da arte russa. Temos como exemplos, de meados do século XI, a Santa Sofia de Novgorod e a catedral de Assunção de Vladimir.
As novidades da terceira “idade de ouro” dizem respeito fundamentalmente à decoração. O tipo de planta mais difundido continua a ser o de cruz grega. O mais característico, no entanto, é a acentuação das diferenças provinciais e, em especial, a perda por parte de Constantinopla de seu papel de dirigente. Dentre outras, podemos citar as igrejas búlgaras de Preslav, Pliska e Ochrida, as romenas de Voronet, Dealu e Suceara, na Rússia, a catedral do Trânsito da Virgem, de 1326 e a da Natividade.
A arte bizantina não se extinguiu em 1453, pois, durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI, a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império, penetrando, por exemplo, nos países eslavos.
PINTURA
A tábua com os Santos Sérgio e Baco que, procedente do convento de Santa Catarina no Sinaí, se conserva agora no museu de Kiev, é um dos exemplos mais felizes chegados até nós. Praticamente indiferenciados, aparecem de frente como imagens simétricas instaladas num espaço sem atmosfera. De qualidade pictórico superior, também mais humano, é o São Pedro do mesmo convento. Nele, as tendências ao esquematismo e a linearidade do ícone de Kiev veem-se temperadas por uma realização infinitamente mais solta, mas sobrevive o essencial: a intensa vida interior que se desprende da figura e a frontalidade e o hieratismo como recursos para apanhar o espectador, ao mesmo tempo como mostra respeito para com este.
Foram precisamente os abusos no culto aos ícones, que frequentemente adotava formas próximas à idolatria, os que proporcionam a ocasião para o início de uma querela política e teológica que transtornou o Império de Oriente durante mais de um século. No ano 726, o imperador Leão III, o Isáurico promulgou um edito contra a utilização de imagens no culto, que encontrou uma forte resistência (começando pelo papa Gregório III) e abriu um período de perseguições contra as imagens (que foram destruídas em grande número) e contra os seus partidários. Com um breve interregno de triunfo da iconofília (787-813) devido à imperatirz Irene, a iconoclastia prolongou-se até o ano 843, quando a imperatriz Teodora fez restabelecer definitivamente o culto às imagens.
Um testemunho importante do que podia ter sido a decoração do período iconoclasta está constituída pelos mosaicos da grande mesquita de Damasco (705-715), de caráter ilusionista, com árvores em primeiro plano que vão dando ritmo ao espaço.
O fim da querela iconoclasta preparou as condições para reafirmação do Império biznatino sob a dinastia dos Macedônios (867-1056). Iniciou-se então a chamada “segunda idade de ouro” da arte bizantina, prolongada através do domínio dos Ducas, Comnemos e Ângelos até que, em 1204, a tomada de Constantinopla pelos cruzados provocou a maior das crises vividas até a essa altura pelo Império de Oriente. Sob os Macedônios, as diretrizes políticas e culturais do período Justiniano converteram-se de ponto de referência básico e Bizâncio recuperou as linhas de desenvolvimento partidas durante o período iconoclasta, orientando a sua vista diretamente para uma nova iniciação, com bases do seu passado cultural: as tradições helenísticas, imperial romana e paleocristã. O resultado foi marcado por características como: predomínio do pictórico sob o linear, com o uso frequente de uma técnica solta, e certo aumento do naturalismo (visível no tratamento mais cuidado dos cenários, na variedade de atitudes dos personagens e na maior correção anatômica).
ESCULTURA
Toda essa atração por decoração aliada à prevenção que os cristãos tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o paganismo romano afasta o gosto pela forma e consequentemente a escultura não teve tanto destaque neste período. O que se encontra restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração.
A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI, durante o reinado do Imperador Justiniano. Porém, logo se sucedeu um período de crise chamado de Iconoclastia. Constituía na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e o clero.
MOSAICO
O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas, mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos. Eles são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos.
Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade, a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro.
SaibaMaisO mosaico consiste na colocação, lado a lado, de pequenos pedaços de pedras de core diferentes sobre uma superfície de gesso ou argamassa. Essas pedrinhas coloridas são dispostas de acordo com um desenho previamente determinado. A seguir, a superfície recebe uma solução de cal, areia e óleo que preenche os espaços vazios, aderindo melhor os pedacinhos de pedra.
Os gregos usavam os mosaicos principalmente nos pisos. Já os romanos utilizavam-nos na decoração, demonstrando grande habilidade na composição de figuras e no uso da cor. Na América os povos pré-colombianos, principalmente os maias e os astecas, chegaram a criar belíssimos murais com pedacinhos de quartzo, jade e outros minerais.
Mas, foi com os bizantinos que o mosaico atingiu sua mais perfeita realização. As figuras rígidas e a pompa da arte de Bizâncio fizeram do mosaico a forma de expressão artística preferida pelo Império Romano do Oriente.
A palavra ícone é de origem grega e significa imagem. Como trabalho artístico, os ícones são quadros que representam figuras sagradas como Cristo, a Virgem, os apóstolos, santos e mártires. Em geral, são bastante luxuosos, conforme o gosto oriental pela ornamentação suntuosa.
Ao pintar os ícones usando a técnica de têmpera ou encáustica, os artistas recorriam a alguns recursos para realçar os efeitos de luxo e de riqueza. Era comum revestir a superfície da madeira ou placa de metal com uma camada dourada, sobre a qual pintavam a imagem. Para fazer as dobras das vestimentas, as rendas e os bordados, retiravam com um estilete a película de tinta da pintura. Assim, essas áreas adquiriam a cor de ouro do fundo. À vezes colocavam joias preciosas e chegavam a confeccionar coroas de ouro para as figuras de Cristo e de Maria.
Geralmente os ícones eram venerados nas igrejas, mas não era raro encontrá-los em oratórios familiares, pois ficaram populares entre os gregos, balcânicos, eslavos e asiáticos. Os ícones russos da cidade de Novgorod, onde viveu, no início do século XV, André Rublev, célebre pintor desse gênero de arte.